carta a um homem à espreita
querido p.,
me recuso a fazer grandes projeções, mas só queria te dizer algumas coisas bobas e simples, dessas bem honestas que a gente diz só pra quem com certeza vai entender. não há nada de muito grandioso sobre mim, mas ainda assim eu sinto que esse espaço entre nós guarda grandes imagens, momentos preciosos e alguns sons que só se fazem entre quatro paredes. uma vez te encontrei no ponto de ônibus depois de muito tempo, e pode ter sido rápido - até superficial pra quem estivesse passando - mas eu sei que se a gente conversou com tanta facilidade por tão pouco tempo é porque nos merecemos um pouquinho. então, por conta desse nosso encontro, e também por conta dos seus olhos castanhos que eu nunca consegui esquecer, queria dividir certas impressões minhas:
sinto muita falta do calor humano, desses que a gente só sente no auge de um compreendimento mútuo que acontece tão raras vezes quanto é raro o amor. e acho que alguém que não fosse você, se lesse isso, diria que eu sou uma romântica incurável, que eu vivo em séculos passados, em filmes, mas não é isso que eu disse - só você seria capaz de sacar. não estou falando de romance, não restou falando de amor, nem sequer de paixão; tô falando de tesão mesmo. tem faltado tesão na minha vida, gente por quem valeria a pena se jogar na cama e gritar, alguém com quem eu não me importaria de estar deitada suada num cômodo fechado morrendo de calor e cansaço, falta alguém que vale a pena.
os beijos, as drinks, a embriaguez, tem sido tudo seco e vazio; falta tesão, e eu acho mesmo que você é o único que pode resolver essa questão.
te aguardo,
m.

